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Poemas 2

Num Tibete esquecido

existe um Buda

que se chama Espera.

E Espera dá luz a quem o procura

dá água a quem tem sede

e alimento

a quem tem fome de se encontrar.

 

Espera não quer presentes

mas deseja ter luz

não mais que o sol para se aquecer.

 

É o Buda da dádiva

porque sabe que esse calor é dado

pela natureza sem ele nada lhe pedir.

 

Porque a natureza

é a esperança do Espera

e tal como ele recebe

também a oferece.

 

Mas ele só dá luz

aos perdidos que não prometem

porque ele sabe

que eles não cumprem

e nada podem prometer.

 

Assim só encontra a luz do Espera

quem dá por nada e nada espera receber.

 

Maria Morais de Sa

MMXIV

IV

XXIII

Imagem Google

   O Buda

Barco de papel

Viajo num barco de papel

e nele venço tempestades

e ondas gigantes.

 

Amanheço com o sol

dourando a minha pele

e abrigo-me dos ventos

que tentam rasgar-me a proa.

 

Já naveguei por luas

e pensei-me perdida.

Agarrei-me a portos

que imaginei

mas que a tempo

rompi as amarras

porque eram frágeis

e delas me soltei.

 

Reforço todos os dias

o meu barco de papel.

Porque nele viajo

por terras e temposq

ue nunca vivi.

 

Choro as tristezas

e canto as alegrias

que os peixes me contam

e voo com eles

na mais linda história

que todos os dias

escrevo na proa

do meu barco de papel.

 

Maria Morais de Sa

MMXIV

IV

XXIII

Imagem Google

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