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E AQUI MAIS POESIA...

Saudade de não crescer

Dar as mãos

um abraço

uma palavra

correr pela praia

e dar um grito ao infinito.

 

Saltar à corda

rir até cair para trás

soltar um balão

escorregar por um corrimão

bater às portas e fugir

roubar flores de um jardim

cantar à luz da lua

pregar sustos nas esquinas

esconder atrás das portas

ou debaixo da mesa da cozinha

não ouvir os pais

a bola partir um vidro da vizinha

fazer birra para dormir

ser a princesa ou a fada madrinha

até não poder mais...

 

Até ao dia de viver mais que a fantasia

e olhar que os pés crescem

a vergonha e os espelhos

o brilho no nariz e as espinhas

se acabaram as casinhas

os doutores e as bonequinhas

nascem os suspiros e os cupidos

as lições e os laços

as uniões e o cansaço

o eterno e a morte

as rugas e as brancas

e a saudade de voltar atrás...

 

Maria Morais de Sa

MMXIV

IV

X

 

Más-línguas


Espirais de vento

sopram as bocas

e ouvidoscrentes

duplicam histórias.

 

Olhos que não viram

dobram os sinos

anunciam morte

enterrando vivos.

 

Inventores gulosos

de jornais diários

espreitam esquinas

por janelas tapadas.

 

Levantam telhados

com língua fácil

e os espelhos quadrados

redondos o fazem.

 

Conta um conto

conta-me mil

nasce morre e vive

e diz que não viu.

 

Saltam verdades

e as de perna curta

säo vício as palavras

nas bocas do mundo.

 

 

Maria Morais de Sa

MMXIV

I

XXIX

Imagem Google

Quando disseste

vem comigo.

Já a espera

para mim era uma ansiedade.

Teria o cansaço nos olhos

mas a vontade...

 

Corri em direção à tua rua

e o esperar desse minuto

fez toda a diferença.

 

Estava ofegante

não de ter pressa

mas ofegante

por ter a tua mão

que de longe parecia pequena

para o tamanho do abraço

que tanto queríamos dar...

 

 

Maria Morais de Sa

MMXIV

IV

XXII

Imagem Google

O abraço

Digam que o vento

trouxe sorrisos

para as bocas de mel.

Trouxe essência de flores

para os campos livres

e alegria nas ruas do céu.

 

Digam que o vento

empurrou navios

que não tinham velas.

Empurrou castelos

e varreu areias

dos pés de alguém.

 

Digam que o vento

levantou raízes

que queriam voar.

Levantou as cinzas

dos verdes montes

acabados de se queimar.

 

Digam

que o vento é forte

mas que também sopra de leve

os cabelos da amada terra

as lágrimas dos rios

e a seus filhos faz voar.

 

 

Maria Morais de Sa

MMXIV

IV

XXIV Imagem Google

O vento

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